Eu tenho uma teoria. É uma teoria completamente empírica, baseada em programas de televisão, piadas que amigos contam e outros fatos marcantes da vida. É a teoria do absurdo.
O que faz um fato ser engraçado? O que faz com que as pessoas realmente riam de algo? E que tipo de reação bioquímica é essa que faz com que os seres humanos usem seus diafragmas incessantemente, após um fato inusitado? De onde vem o riso?
Quando digo o riso, não é o riso romântico de admiração, tampouco um sorriso de bom grado. Falo do escárnio, da gargalhada que transpassa qualquer ambiente, e faz com que as pessoas fiquem curiosas a respeito do motivo desta reação.
Falo do riso da desgraça alheia. Das pessoas que se prestam a cair de escadas, e todos riem. Falo do ridículo involuntário, quando riem de você em uma situação que ninguém esperava que fosse acontecer. É o riso maldoso, quando o inesperado encontra a realidade, e não resta às pessoas ao redor nenhuma reação, senão rir.
Nessa minha teoria empírica, o riso mais sincero é o riso mais malvado. É o riso do humor negro, do absurdo que é tão absurdo que nos faz questionar a realidade.
O ladrão de calcinhas que foi preso, a namorada que agrediu o companheiro por falta de orgasmo, a prefeita que foi pega em flagrante fazendo sexo em local público e se tornou motivo de chacotas. Nessa minha teoria do absurdo, o riso sarcástico é apenas um susurro aliviado, quando as pessoas descobrem que o cotidiano não é tão cotidiano. Quando as regras são quebradas, quando o evitável ao máximo se torna inevitável.
Quando ocorre uma gafe. Quando um acidente se torna um incidente. Quando a lógica retilínea da seriedade se torna um fracasso mórbido. Quando um idiota morre afogado, porque estava bêbado e prendeu a cabeça na janela tentando beber água de uma torneira. Quando algum ébrio invade a casa de alguém pensando que esta era a sua residência e depois é preso por isso. Quando um marido se divorcia de sua cônjuge ao saber que a mesma era transexual (após 20 anos). Daí surge o absurdo, e isso nos faz rir.
O processo da percepção do absurdo é simples: o fato inusitado se torna público, o público, em seu cotidiano simples, tem um sentimento de admiração e, de repente, para preencher a lacuna de uma situação inconclusiva, vem o riso.
Se realmente for isso, o riso do absurdo é o riso da incompreensão. Rimos daquilo que a nós parece ser incompreensível. Rimos como forma de resposta a algo que parece não fazer o menor sentido.
Diz-se: Rimos para espantar os males. Rimos, porque nos torna mais felizes. Rimos, porque o riso embeleza a vida. Mas na minha teoria do absurdo, o riso é apenas uma reação à incompreensão do alheio.
Nesse caso, se quem ri por último ri melhor, quem ri por último é sempre o último a entender a piada. E convenhamos, uma piada contada pela segunda vez já não tem a mesma graça.